Prosa de vinhos

 

Já não bebo há 1 semana.

Foda-se, vou abrir a garrafa de vinho.

“Tinto na língua, menina!”

Não tinha nem 14 º e lá fora já chovia. Pus a língua a jeito só a ver o que caía.

Servi o Temporal em copo alto de cristal. Severo e sincero, monocasta com pedigree , lá na tasca nunca vi , esculpido em socalcos , afiado nas escarpas do Douro. (Há xisto lindo! ) Não durou muito até acabar no fim,  de boca, escura, região de marcada falta de elegância, e visível afinidade taberneira, longe do prumo erudito de uma distinta prosa de vinhos. De uma distinta prosa de vinhos. Ébria obra escrita a dobrar, o que lhe sobra em Borba falta em sobriedade . De um lado romance de autor assinado com pena e aparo caro de tinto permanente, do outro, soluços de pão bebado em vinha dalhos  fiel ao seu papel de efêmera condição, da de beber a solidão,  texto pingado e sopa de letras de cavalo cansado . declamou em vez de escrever e entronou, porque não sabe beber .

Prosas de vinho Daquelas. que não rimam com cadelas. os poetas são atletas de encorpada basofia, de peitos cheios de reservas antigas pra lá de mil nove e vinho…passado. De jargão tecnicista e colarinho engomado, dizem que a arte, tem regras a la carte , e pensam que logo existem só por pensar como descarte. Atrás das trincheiras do balcão apanham-se grandes bebedeiras do garrafão ao caixão. No vício do vinho também ha classe, Há os pobres de engolir e os nobres de cuspir. 

Mas no fim, todos caem para o mesmo lado.

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