Lembra-dura


Escrevo na minha mão esquerda aquilo que não posso esquecer.

E nunca me lembro que a mão direita ainda não sabe ler.


Confio as obrigações da vida ao diálogo mudo de duas mãos vazias.
E regresso a casa com uma lista cheia de falhas para chorar.


Tanta coisa por fazer que me esqueci de esquecer.


Se ao menos a tristeza fosse uma tarefa como as outras, talvez me esquecesse de chorar.
Assim, até ficava feliz por não me lembrar.

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