Nu vais, nu vens
Na fábrica do céu há nuvens que trabalham por turnos.
De dia enfeitam o seu azul, claro, e de noite assombram o meu nocturno, enquanto durmo.
Não sei se é algodão ou se é fumo, a matéria que dá forma às nuvens, não sei se é mole ou duro… (e será puro?) …o véu volátil que sopra o sonho daquele
novelo absurdo.
Não sei se é ficção ou aflição , o que sustenta a beleza desta leve ilusão .
Só sei que não chego lá com a mão .
A visão de um afago impossível diz que não.
E se não posso agarrar , não há nuvem que me faça acreditar .
Entretanto, a Lua vai nua e ninguém lhe pede para trabalhar.
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